2.7.16

por que a Escrevente precisa se amar

RESPOSTA A UM PEDIDO DE NAMORO 

queria amar
mas mal amava
o que de si distinguia

queria amar
mas o seu amor
em poemas se partia

queria escrever
mas de amor
o poema lhe morria

queria morrer
mas um poema entrevia
(um poema de amor
que de amar a impedia)

queria amar
mas mal amava
o que de si distinguia

(Curiosa da Vida)

6.4.16

12.3.15

porque a Escrevente sente a Morte, a Vida e o Poema - vez em quando

NOTA DE FALECIMENTO

teve vasculhadas as gavetas
desvendados os segredos
despidos os versos

nua, por fim - percebeu
estava morta

morta-viva
na fenda do tempo habitado de si

(passeavam as moscas)

o corpo - as coisas as moscas
- a vida - seguia sem ela
no poema

Curiosa da Vida

Fotografia de Ramsés Albertoni

11.10.14

porque a Escrevente procura palavras


NOTA DE FALECIMENTO

um último verso composto
o atingiu de forma fatal

falava
em tempos infinitos
amores eternos
colos maternos

olhos nos olhos

um último verso
aconchegante e devastador
revelava vida após a vida
da vida
que depois de dita
consumada
existida
deixava o nada
preenchido do todo

um último verso:
o que nomeio não me comporta

11.9.14

porque a Escrevente quer voltar



ENVELHECER

o olhar matreiro
derrotado pela pálpebra caída

(foi perdendo um jeito de ver as coisas que possuía)

Curiosa





16.6.14

porque a Escrevente é um eterno devir

há gentes batendo na porta?
diga que estou ocupada

- que talho em abstrato
minha face
com memórias do nada

que concebo sonhos e ilusões
de palha e cristal

impossíveis

diga que metamorfoseio
palavras
para alimentar-me
do humano

em mim

diga, diga às gentes
que amanhã serei eu

que voltem a bater

(Curiosa)

27.5.14

porque a Escrevente ... ficou sem título ...


queria morrer
mas entrevia um poema

queria escrever
mas lhe morria o poema

queria morrer
mas entrevia um poema


(Curiosa)

17.5.14

porque a Escrevente procura jutificativas para se manter viva

JUSTIFICATIVA DE CONTINUIDADE DE EXISTÊNCIA NESTE MUNDO INJUSTO ou POR QUE NÃO ME SUICIDEI AINDA ou DA HUMANIDADE

existo para contradizer o que vivo
poeto para testificar o que sinto
partilho para perseverar no que somos


12.5.14

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