27.7.10

porque a Escrevente, vez em quando, vê a Realidade


ABLAÇÃO

Toda vez que tento beijar teu
coração
esbarro no teu seio esquerdo.

Lesmo escorregadio vou às
axilas
úmidas de suor desodorante.

Ricocheteio até teu maternal
colo
esqueço os seios de mamãe.

Após um salto mortal vôo à
nuca
cheirada, fungada, arrepiada.

Da escalada revolteio na tua
orelha
mariposeio a língua quente ...

Escorrego desmaiado ao teu
ombro:
pra que esses olhos virados?

Faleço neste ritual num outro
seio
devorado pela mastectomia.

(Salomão Rovedo)

2 comentários:

fatti___ disse...

verdade...é em nossa cabeça que vaga pensamentos indiscretos e que aparecem idiscretamente em nosso olhar!

bju amada!

Curiosa disse...

além disso, há o olhar, que fala mais que a palavra!

bjos Fatti !

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