30.5.11

porque a Escrevente irá ...

SEMENTE

Diga algo que venha do alto
e eu avançarei compungido,
de braços abertos para o alto
com o coração estremecido.

Que seja em música diga algo,
que abale e me deixe afligido,
a comoção que ofenda, algo
que ainda nunca foi atingido.

Agrida-me forte com poesia,
a palavra que detona o ser,
fira a alma – bala da poesia,

Diga-me algo que possa ser
a lavra na terra da poesia,
fira a alma que ofenda o ser. 

(Salomão Rovedo)


28.5.11

porque hoje a Escrevente precisa ratificar o Amor


FALE-ME DE AMOR

Não poupe o silêncio, hoje quero ouvir uma canção morna,
que diga as coisas mais banais e que tratam de amor, amor. 

Fala-me das sensações, fruta madura, do açúcar, do mel,
da estranha química que lubrifica os lábios grudados em beijo. 

Canta-me assim mesmo, quase dizendo a música, voz rouca,
sonoridade mansa, pacífica, que a brisa leve descola no ar. 

Mostra-me fotografia amarelada, em preto e branco, a cor
mais rubro que se imagine, fugir dos lábios em pose sensual. 

Lábios retocados de batom em forma de coração apaixonado,
coisa tal que enterre os dias de hoje, mumificados em tumbas. 

(Salomão Rovedo)

27.5.11

limeriques eróticos



Limerick - ou Limerique -  é um pequeno 
e curioso poema, que se usa de humor,
ironia , graça ou absurdo em sua construção,
falando impudicamente das partes pudentas,
como bem disse Luiz Roberto Guedes, aqui.
(foi ele quem traduziu os poemetos abaixo)


Certa moça de Moçambique
Não trepava: tinha chilique.
Até que um negrão
C'um pau de garanhão,
Curou de vez seu tremelique.


***


Um chinês chamado Chang Cheng Ching
Tinha um pinguelo bem chinfrim.
Ao ver o pinto pronto,
As putas dão desconto:
"Você paga meia, pingolim".


***

Chiquinha já sabe o desfecho
De beber e perder o eixo.
Acorda pelada,
A racha melada,
Com porra pingando do queixo.


***

Um romano chamado Brutus
Fodia uma puta, abruptus.
Mas antes do jato,
Sofreu um infarto.
Morreu num coitus interruptus.


***

Sempre virgem: Aparecida
Jurou ser casta toda a vida.
Mas quando o capeta
Lhe assanha a buceta,
C'uma vela está bem servida.

26.5.11

porque a Escrevente é estrangeira de si


DANO

O que faz na floresta
um lobo solitário?
Suicida-se de tédio
dentro de um armário.

O que faz na cidade
um lobo solitário?
Morre de medo
sentado no ônibus. 

O que faz no bairro
um lobo solitário?
Afoga-se de tédio
dentro da banheira. 

O que faz na Avenida
um lobo solitário?
Morre de sede e fome
debaixo da marquise

(Salomão Rovedo)

24.5.11

Escrevente em crise com a vida urbanóide que leva



eu queria ser aquela que canta,
faz o pedido e fica em casa, no campo ...
não quer ir para a cidade;
o movimento da feira? não!
traz pra mim ...

..

se você ainda não conhece Elomar Figueira Mello,
veja o vídeo, vale a pena conhecê-lo, seja pelo tom
de voz lindo, seja pela sua maravilhosa história de Vida
ou pelas letras viscerais que compõe ...
leia sobre ele aqui.

23.5.11

porque em pensamento, a Escrevente peca

NOVO

Já escrevi uns poemas desesperados
e tomei várias tantas cachacinhas,
me despedi da mulher que era minha,
agora escuto um forró bem rasgado.

Beijo os farelos e as sobras de pão
antes de atirar os flocos pela janela
aos pombos. Corpo de Cristo, vela,
aprendizado de catecismo, oração.

Quando quero ser mau e demoníaco,
na calada da noite e só (assim suponho),
com os pensamentos mais malditos,

emborco chinelos, sapatos, com ódio
mortal – e criminoso, assassino, infenso,
espero que os inimigos acordem mortos.

(Salomão Rovedo)

22.5.11

a Escrevente goza na Poesia


CONVITE

Vem, tenho no peito
um aconchego amigo,
com o que costumo
receber as mulheres.

Vem, é verdade, gozo,
ainda sonho contigo
– e enquanto durmo
desejo só coisas boas.

(Salomão Rovedo)

18.5.11

a vida pela Vida! Acción Poética

Acción Poética  é um movimento de iniciativa do poeta Armando Alanis,
surgido em Monterrey, no México, no qual artistas do grafite plasmam
pequenos poemas nos muros da cidade ...

16.5.11

porque a Escrevente derrama lágrimas neste momento


elegemos nossos ex-torturadores?




uma produção bem feita, que nos faz refletir.
sou a favor de julgamento para esses ex-torturadores,

como o defendo para todo e qualquer bandido.

não sou a favor do esquecimento.
essas pessoas, no mínimo, deveriam estar afastadas da vida pública.

claro que o movimento mais forte no sentido de punir esses assassinos
veio de um grupo de mães: as argentinas Mãs da Praça de Maio.
o materno é o mais intenso dos sentimentos.


10.5.11

vez em quando, a Escrevente vislumbra a Morte


GETIRANA

Por conselhos de um cônego abade
Dous maridos na cova soquei;
E depois por amores de um frade
Ao suplício o abade arrastei.

Os amantes, a quem despojei,
Conduzi das desgraças ao cúmulo,
E alguns filhos, por artes que sei,
Me caíram do ventre no túmulo.

(Bernardo Guimarães)

7.5.11

porque a Escrevente gosta de Salomão Rovedo

TEMPOS RUINS

Aliás, não pare em mim,
Não sou um bom porto,
Sou um ímã abominável
Para coisas negativas...

Sou a máscara do mal,
Canibal de criança crua,
Ajo durante o Carnaval,
Nunca pouse em mim.

Não sou bom aeroporto,
Vivo colhendo reveses,
Até mesmo os amores
São eternos detestáveis.

Só os tolos se alegram,
Fiquem longe de mim,
Almejo coisas amargas,
Execrável e infame sou.
(...)

Gosto da coisa obscura,
Procuro o caos execrável,
O ambiente mais péssimo,
Não cantem comigo, não.

Não é oásis nem deserto,
Ó vento – insuportável ente
Gélido das madrugadas,
Afasta-te deste horror.

Os amores estão latentes,
Neste canto bem velhaco,
Vivo orando imprecações,
Dores lancinantes dores ...


(Salomão Rovedo)

5.5.11

a Escrevente se despe de si mesma - sobra o quê?


Feche o sol
apague a lua. 
Temos o quê? 

O homem nu
despido de cor
e eternidade. 

Temos o cu
a fome, o ódio. 

– Então diga
o que gritar? 

(Salomão Rovedo)

3.5.11

porque a Escrevente sente o peso da Matéria

imagem de Esther Ferrer, ‘Música Celestial’


o Corpo canta
em Poesia Concreta
o duro pranto da
Existência

(Curiosa)

animação em poesía visual




um excelente vídeo, feito para dar a conhecer mais o caligrama,
poema visual, no qual a disposição das letras e palavras
revela infinitos outros significados para o que estamos lendo.

por apresentar perfeita harmonia entre a animação
das imagens poéticas e os acordes musicais,
passando soberbamente a informação a que se propõe,
o video é um  Poema-Metapoético-Multimídia.

(sorry, não resisti em classificá-lo)


2.5.11

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