27.7.11

porque a Escrevente está tendo pesadelos recorrentes




















livros a atacam em bandos enormes e pesados, ameaçando decifrá-la ...
nós podemos te dizer, afirmam eles ... somente nós ...

e eu grito que não! que não sou tão decifrável assim ...
que há partes de mim que não são podem ser ditas em palavras ...

e os livros debocham e riem, dizendo que tudo pode ser dito em palavras...
e saio correndo em uma lúgubre cidade de livros,
que lenta e infinitamente despencam em cima de mim ...

..

humhum ... isso é que é pesadelo ...
é meu conceito de inferno:
um bando de livros tentando me decifrar ...
eu que detesto rótulos e senso comum!
(eu sou uma metamorfose ambulante!)
quando eu consigo me definir, é porque já mudei ...

26.7.11

porque a Escrevente sonha com a complexidade da Vida no Campo


RÚSTICA

Ser a moça mais linda do povoado.
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do Senhor em cada filho.

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema e a tomilho...
- Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à "terra da verdade"...

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!
Dou por elas meu trono de Princesa,
E todos os meus Reinos de Ansiedade

(Florbela Espanca)

..

a Escrevente sonha com uma vida no campo ...
não sonha com: vida simples no campo ...
não ... porque de simples - a Vida não tem nada ...
viva a complexidade !!
bucólica ou urbana ... viva !

23.7.11

porque a morte da Amy Winehouse trouxe a Morte para a Escrevente



esta preciosidade de vídeo me faz lembrar meus vinte anos de idade .
um ex-namorado meu (de vinte e cinco anos atrás) faleceu recentemente ...
prematuramente, pois tinha ele cinqüenta e poucos anos ...
uma pessoa especial, apaixonante, a quem eu sempre amei ...

com ele, em seu fusquinha amarelo, eu freqüentava os botecos da cidade ...
a Apolo, na Rua Lima e Silva,  aqui em Porto Alegre/RS,
chamada carinhosamente de 'cu sujo', onde estávamos todas as noites,
depois de um dia exaustivo de trabalho ... (já não existe mais) ...

íamos com freqüência a um outro bar na esquina da Sarmento Leite
com a Lima e Silva ... (hoje um restaurante chique) onde o
dono tinha paredes e paredes de cachaças especiais ...
e havia, ainda, o botequim onde almoçávamos, perto do trabalho ...
mais o Adriano, na Rua da República ... nesses, éramos clientes de fé ...
e claro, havia todos os outros botequins da cidade ...

enfim, um balcão de botequim me traz muitas e boas lembranças ...
neles já amei, já odiei, já fiz a revolução ...

mas confesso, somente freqüentava esses botecos pelas companhias ...
lá estávamos sempre Pessoas Especiais ...
querido Hélio, esteja em paz.

quanto à Amy,
cada um sabe a dor (e a delícia?) de ser quem é ...


21.7.11

do blog SOTBLOG - sobre as chuvas no sul, norte e nordeste do país


clique no link abaixo e conheça o blog dessa pessoa sensível, que é o Sotnas ...
ele escreveu este lindo poema sobre os efeitos das últimas chuvas no sul,
norte e nordeste do país  ...

no RS, recém alguns municípios obtiveram (com estas chuvas)
pequena recuperação dos níveis de água em seus reservatórios municipais.
veja Bagé, passava 14 horas sem água. agora, passa 12 horas.

o resto do país não sabe do processo de desertificação que o Rio Grande do Sul
vem sofrendo, há anos. as pessoas simplesmente estão perdendo suas terras
e estão em processo de miserabilidade, abandonadas pelo poder público.

por outro lado, as chuvas de ontem, que foram torrenciais, causaram enchentes,
deslizamentos, com pessoas desalojadas e desabrigadas aqui no estado ... 

.............. tristezas, enfim ............
eis a grande Mãe-Água, que cria e destróis a seu bel-prazer ...

sejamos solidários ... 

SOTBLOG 
PRETENSOS VERSOS DE UM PRETENSO POETA:
Lágrimas pela chuva

Ah, as chuvas!
Desaguaram no sudeste,
E fizeram verter lágrimas,
E no nordeste, deixaram
Seu rastro de morte
E dor feito a peste!

Desaguaram no sul,
E fizeram verter lágrimas,
Sob o céu azul
Dos plantadores contentes,
Pois na terra úmida,
Não mais rachada,
Vai brotar novas sementes

E o vermelho da terra,
Não será o mesmo, que corre
No interior da nossa gente,
Cobrir-se-á de verde,
Pela nova colheita,
Que viçosa cresce

E toda a vida aos céus agradece,
É assim também na natureza,
Aquele que faz aqui, aqui aceita
E os seres terão o seu alimento,
Da terra que d’antes,
Nada crescia, e rachava de sede,
Como lá no nordeste,
Sempre esteve!

(Sotnas Odlabu)

19.7.11

porque a filha da Escrevente está indo morar com o pai

ela tem 16 anos. e é maravilhosa!
há um mito de que a adolescência é complicada.
nada! é linda!

essa época, como qualquer outra da vida do indivíduo,
é o resultado de toda a vivência e convivência anterior ao período.
é um processo, nada muda do dia para a noite.
vai ser bom para ela passar pela experiência de morar com o pai.

eu ?....... eu estou triste demais .......
adoro a casa movimentada, cheia de crianças,
jovens ... família!
algo está errado na minha vida ...
eu gosto de casa cheia e estou morando sozinha ...
..

só para eu não esquecer:

ninguém precisa mais de mim do que eu mesma
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma 
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma 
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma 
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma 
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma 
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma 
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma

16.7.11

porque o Inverno está na Alma da Escrevente



HAICAI
      DE INCÍCIO DE INVERNO

Ipês desflorados
inverno em minha alma
- só o chão se colore

(Curiosa)



HAICAI
      DE FINAL DE INVERNO

jacarandá florido
pipilar de pássaros -
colore-se a alma

(Curiosa)






a Escrevente ri quando goza


TEU RISO

ao som do riso
do amado
a Poeta
sai da analgesia
atira-se à ventania
embarca na fantasia
e  goza na Poesia

(Curiosa)

15.7.11

AMORE QUOQUE TAMEN - Salomão Rovedo


Por que não me suicidei? Para não satisfazer o bruxo.
Sigo vivo por estar atracado ao refluxo dos olhos dela.
Espero, a vida espera, o instante estagnado espera ...

Imagino o espaço, pressinto a bala, o sorriso do bruxo.
Vai aguardar, vida, até conseguir de novo os olhos dela.
(Mas o espaço, tempo que resta, suportará tanta espera?) 

Há o tempo: débito que ficou e o tempo que sobra a ela,
eqüidistantes no corpo, paralelos, calcados no imaginário,
e que se distanciam – apodrecerá meu fôlego no equador? 

Interregno que custa admitir: a minha vida hoje é ela!
(é o que afirma um outro eu, que só existe no imaginário
sem sobreviver à custa de milagres, abaixo do equador)

..

12.7.11

a Escrevente vê provas do quanto o ser humano pode ser belo


devemos assistir mais e mais uma vez a este vídeo, para que não
esqueçamos do que realmente é importante nesta Vida,
que é a própria vida ...

eu choro a cada vez que vejo, justamente por estar presenciando
o testemunho do quanto o ser humano pode ser e ver o belo ....
e se  Nick Vujicic consegue ver o belo da vida, nós também
conseguiremos um dia ...

11.7.11

porque no Inverno, o corpo da Escrevente pede


MASTURBAÇÃO

pego o instante
e o enfeito

rosa-carmim
em nosso leito

e teu pensamento
´gozando em mim

(Curiosa)

..

quando está frio, eu quero dormir acompanhada ...
quero estar apaixonada ... fazer amor, emocionada ...
dormir aconchegada e acordar com uma trepada ...
(sorry pela rima pobre ... não resisti - porque é meu desejo ...)

o frio une a Humanidade ...


porque a Escrevente, vez em quando, sai de si


ÉDEN

Ela anda em sensual esplendor,
desesperadamente calada.

Procura voz própria e encontra
tudo de alguma maneira.

Mesmo que a voz alheia inspire
a sugar a essência da vida,
ela hesita, desmaia, foge ...

(Salomão Rovedo)

10.7.11

novo terremoto de 7,1 no Japão e a Escrevente amando


como um raio - pontiagudo e afiado
que mancha a Palavra a carmim
teu nome - quando pronunciado
crava um verso novo em mim

Curiosa

..

e em meio a terremotos e tsunamis, pronunciar teu nome
é seguir bolhas de sabão em tarde ensolarada cheirando
a grama verde ouvindo teu riso sabor algodão-doce ...

7.7.11

porque o Inverno traz sentimentos inesperados para a Escrevente


QUANDO A ERVA CRESCER

Quando a erva crescer em cima da minha sepultura,
Seja este o sinal para me esquecerem de todo.
A Natureza nunca se recorda, e por isso é bela.
E se tiverem a necessidade doentia de "interpretar" a erva verde
sobre a minha sepultura,
Digam que eu continuo a verdecer e a ser natural.

(Alberto Caeiro)

3.7.11

toda repetição é uma ofensa, senão na Poesia




Aunque mi vida este de sombras llena
No necesito amar, no necesito
Yo comprendo que amar es una pena
Y que una pena de amor es infinita

Y no necesito amar - Tengo vergüenza
De volver a querer lo que he querido
Toda repetición es una ofensa
Y toda supreción es un olvido

Desdeñosa, semejante a los dioses
Yo seguiré luchando por mi suerte
Sin escuchar las espantadas voces
De los envenendados por la muerte

No necesito amar - absurdo fuera
Repetiré el sermón de la montaña
Por eso de llevar hasta que muera
Todo el odio inmortal que me acompaña

1.7.11

porque nem sempre a Escrevente ama o Outro



















o amor e a repulsa pululam lado a lado
entrelaçam-se-continua-mente
emaranhando-se
pelos pequenos atos
escoantes-e-apertados
da vida vivida

(Curiosa)



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...