25.9.11

quando a Escrevente quer fazer sexo, escreve limeriques


LIMERIQUE DE UMA POETA NO CIO

estava a poeta espoleta
(se lhe ardia uma verseta!)

mas doesse o físico
ou o metafísico
ela sentia é na boceta

(Curiosa)

....

Limerick - ou Limerique - é um pequeno e curioso poema,
que se usa de humor, ironia, graça ou absurdo em sua construção,
falando impudicamente das partes pudentas,
como bem o disse Luiz Roberto Guedes, aqui.

todo limerique é erótico ... é ainda chulo, reles, grosseiro ... mas acima de tudo, divertido e verdadeiro ...  eu gosto de fazê-los ... eu me diverto ...

o limerique possui cinco versos. os versos 1-2-5 possuem oito sílabas poéticas, que rimam entre si, e os versos 2 e 4, com cinco sílabas poéticas rimando entre si.

20.9.11

porque a Escrevente está se reciclando


imagem/poema (lindo!) de autoria de meu amigo Tonho, visite seu  blog

















eu estou a trabalhar muito ...
então, não tem me sobrado tempo para publicar por aqui ...

além do fato
(importantíssimo fato!)
de eu estar sem vontade de escrever nada ...

 por enquanto, estou me reinventando ... reclusa de mim ...


10.9.11

porque cada dia é uma conquista desta Escrevente


FRENTE AO INSTANTE DA DOR
ou (IN)SANIDADE

a Poeta
atarantada
de um lado para o outro
repete o que recém pensou
e de novo pensa de novo

e de novo
e de novo

a Vida lhe arrancou as vontades

a Poeta encarcerada
a Poeta dilacerada
a Poeta monocromática
em monopensamento possuída
murmura sua ladainha infinita:

- euvousobreviver euvousobreviver

(enquanto a Vida ri, olhando-a de viés)

(Curiosa)


porque a Escrevente sonha na Poesia


CONTO DE FADAS

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, amor!

E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...

Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,

O sol que é d´ouro, a onda que palpita.
Dou-te comigo o mundo que Deus fez!

- Eu sou aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez ..."

(Florbela Espanca)


7.9.11

porque a Escrevente reflete sobre a Poesia e a Morte

poesia não é uma inspiração momentânea sagrada, cuja escrita nunca deva ser alterada. não. já sabemos que os poetas mais famosos se deixaram ficar tempos e tempos buscando a palavra certa para o verso, para a rima; a palavra (que o poeta sabe existir) com a síntese completa do significado mais amplo para caber no verso. essa busca não se dá por vaidade ou algo do gênero, mas porque a poesia nada mais é do que a reflexão do poeta. e por vezes ele não chega onde gostaria, ou demora a chegar.

a poesia é uma inspiração nebulosa, que surge aos rompantes no pensamento. sabe-se que para pensar não usamos palavras e frases inteiras, mas fragmentos de ideias que bastam para nossa própria compreensão interna do momento. somente criamos frases quando falamos ou escrevemos, ou no uso de uma linguagem qualquer, para nos comunicarmos com outros. 

difícil definir uma inspiração. é uma vaga ideia a respeito de algo. eu (porque sempre falo a partir de mim) escrevo para ordenar os pensamentos. por vezes, pego uma dessas inspirações (as mais latentes) e tento colocá-la no papel. a temática fica na minha cabeça, sei o que sinto e o que gostaria de passar para a escrita em relação a ela, mas não visualizo o poema em palavras, ainda ... somente a ideia central. colocada esta ideia central na escrita, o restante das palavras vêm no exercício de reflexão acerca do tema. 

mas o importante a se dizer do poema, é o quanto ele me ajuda a pensar e resolver assuntos internos. e  imagino que assim seja para todo e qualquer poeta. quando digo:

TENTATIVA DE SUICÍDIO

entrou na banheira e
cortou sua razão
- rente à pele

minha ideia inicial foi, em um momento de extrema tristeza, escrever sobre suicídio (o que por si só já seria terapêutico) ...  partindo de uma temática negativa e pessimista, no decorrer da construção do poema, acabei elaborando que me suicidar era o mais irracional que poderia pensar ... e esta ideia foi a que prevaleceu na escrita de meu poema ... acho, inclusive, que saiu um poema positivo.

é isso que a poesia faz comigo, ajuda-me a elaborar (positivamente) minhas questões mais profundas. a prosa nem sempre me dá as devidas condições ou o tempo necessário para internalizar uma temática, como na poesia, que quando vinga, culmina na elaboração de uma nova síntese acerca do assunto.

o poema existe além e aquém da escrita; portanto, o poema nem sempre irá gerar algo escrito ...

entretanto, mesmo quando jogamos a ideia central de um poema no papel, pensamos a respeito, mas não conseguimos levar a escrita adiante, a reflexão estará feita. logo, o objetivo estará alcançado. a poesia ganhou. a poeta ganhou. por outro lado, assim que é escrito, o poema não tem mais nenhuma relação com seu criador. para ele existir terá que ser lido e refletido por outros, que o verão como poema, ou não. (mas essa questão daria um outro artigo, deixemos para outro dia)

enfim, poesia é síntese, antes de tudo.


3.9.11

porque a Escrevente está ausente de si


tenho vivido os dias tristemente ...
dói-me a ausência diária de minha filha, que foi morar com o pai ...
(não sabe do que falo? saiba aqui)
sim! ela está ótima ... 
é o melhor que lhe poderia acontecer neste momento ...
eu? estou sobrevivendo, ainda que ausente de mim ...
e os dias adquiriram uma certa atmosfera em cinza ...

..

AUTORRETRATO

quando me querem
centrada
sou o desmedido

romântica
o grotesco

magnífica
o frugal

curiosa
parcimônia

e quando me querem
quem sou
sou ausência

(Curiosa)

..

2.9.11

porque ontem o show do Egberto Gismonti salvou a Escrevente





sim.
ele ... ele e a Orquestra de Câmara Theatro São Pedro ...
foi um gozo de duas horas, literalmente ...
maravilhoso! desde a música palhaço, que embalou minha juventude,
até uma partezinha, apenas,  de sertões veredas, pois é uma peça de 70min.
(é...  fiquei sabendo dos 70min ontem, sim ... rsrs ...)
claro que encontrei amigos que não via há 20 anos ...  foi muito bom ...

pena que tocou o celular de alguém por quatro vezes  ...
e em uma das vezes, um idiota ainda deu uma risada debochada, a todo volume de voz que conseguiu ... atitudes condenáveis ... mereceu uma parada no piano solo do Egberto, uma mudança na sua expressão facial, que depois de alguns segundos, dissipou-se e ele disse: passou! essa foi forte ... lamentável que o Egberto tenha que passar por isso aqui no sul, pois somos um povo que adora ele e seus 64 discos, com músicas reconhecidas pelo mundo afora ... 

falando da organização do espetáculo, penso que devia haver um apresentador para reforçar da importância do trabalho dos artistas convidados, pois nada mais patético do que um artista argumentando o quanto seu trabalho é/foi importante para o mundo ... isso já sabemos, por isso estamos lá a assisti-lo ...

ainda que ele fale que se trata do reconhecimento da música brasileira, não é ele quem deveria dizê-lo ... ele devia falar é de como compõe, onde e em que se inspira, onde e como estuda/estudou para compor, porque compõe ... ele citou, por exemplo, que é amigo pessoal do Manoel de Barros ... então ... eu quase levantei pedindo que ele nos falasse mais de seu amigo poeta .. de como se misturam a poesia e a composição musical no universo da amizade deles ... mas não tive coragem, claro ... 

ele esteve aqui graças ao projeto UNIMÚSICA, da UFRGS ...
um projeto que existe há 30 anos, sempre com muita qualidade no que faz ...
mas que peca em alguns aspectos ...

no mais ... foi maravilhoso ...


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