14.12.12

porque a Escrevente ficou sem título ... mas falará dela

NOSSO GOZO

sob tuas mãos de voragens
em dimensão paralela
- de mim
reconstruo
meu corpo de areia

em uma curva no tempo
da luz dos teus olhos
- em mim
reencontro
a alma que me permeia

(Curiosa)

..




7.12.12

porque o filme Quem somos nós? marcou a Escrevente

a física quântica está entre minhas leituras há mais de vinte anos ...
este filme Quem Somos Nós? traduz, de forma simples,
o que é extremamente complexo, trazendo uma visão holística da ciência
e do ser humano ... claro, complexidade e simplicidade dependem
do ponto de vista de cada um  ...





3.12.12

porque a Escrevente busca se amar

O AMOR

é arma
contra toda a dor
e ausência
de prazer

é o assassinato
do senso comum
no contrassenso

é a salvação
dos solidários
e solitários

(Curiosa)

...

porque estou tentando amar a mim mesma ...
para ver se me salvo (de mim mesma) ...

..

21.11.12

porque a Escrevente queria ser o Fernando Pessoa

atualmente, fala-se muito em depressão como coisa ruim ... veja ... o Fernando Pessoa ... é o cara mais depressivo que eu conheço (rsrs) ... mas ... em sua época (sorte sua!) não se questionava o certo tom de melancolia que algumas pessoas iam adquirindo com o tempo ... aquela expressão de tristeza em suas faces ... ou em suas vidas ... tinha-se como natural ... afinal, a Vida apenas nos toma tudo que temos de melhor ... e o Fernadinho pode compor à vontade, imerso em sua melancolia, sem que lhe incomodassem por isso .. escreveu o tempo todo que preferia mais a morte do que a vida ...

hoje, não ... hoje, temos 'obrigação' de estarmos e sermos felizes, o tempo todo ... temos que fazer esforço para parecermos felizes quando estamos na companhia de outros, ou, seremos questionados, amplamente, sobre 'o que está acontecendo com você?' ... tenho vontade de gritar: deixem-me ser triste e melancólica e infeliz e indignada sozinha !! ... estou bem no meu cantinho!! quero chorar agora, pois vou chorar agora, sem ter que dar explicações!! .... afinal, o mundo é uma M ... somente olhar para o lado e ver a desigualdade social me deixa depressiva ...

e se você não se sente culpado pela nossa organização social coletiva excludente, o alienado é você, sinto em dizer ... todos somos culpados ... por que aqueles que realmente se rebelaram com o que viram, conseguiram sensibilizar o mundo inteiro com suas atitudes ... criaturas como Gandhi ... como pessoas ao redor do mundo que, atualmente, fazem greve de fome em protesto às desigualdades sociais ... como as mulheres que perdem suas vidas para mudar paradigmas sociais de seus países ...  e muitas outras pessoas que, realmente, fazem a diferença com suas vidas neste planeta ... eles mudam padrões ... 

então, todos somos culpados ... pois se cada um de nós, individualmente, fizesse algo de efetivo para melhorar o mundo, ele já seria outro ... caso você queira ficar alienado, a escolha é sua ... eu prefiro estar fora da matrix ... mesmo que isso me deixe depressiva e melancólica ...
..

no mais ... não estou mais apaixonada ... 
as paixões são sempre tão rápidas ... logo se transformam em alguma outra coisa, que pode ser amor ou amizade ... então! eu não quero  mais o meu 'ser maravilhoso' (nem tão maravilhoso assim) para meu namorado .... nem mesmo como amigo, a Escrevente o quer, penso eu ... mas, não sei bem o que a Escrevente pensa ... sei, apenas, que estou me sentindo mais forte no momento ... que venho buscando isso ... que preciso estar mais forte para encarar o triste mundo que criamos ... 

..

na tela do computador
passa uma formiguinha

enquanto a poeta
escreve sobre sua vidinha

(Curiosa)
..


8.11.12

porque não saber quem ela é - incomoda a Escrevente

CURIOSA / ou / MULHER

sou
a autopoiese
na singularidade
do múltiplo devir humano

(acrescida
da complexidade
do Feminino)

para me autorregular

entrego-me
à primeira comoção

choro
rio
crio
à primeira emoção

e amo
à primeira impressão

(Curiosa)






3.11.12

porque uma da Escrevente renasce após o dia dos finados

EU DE MIM

quando estou alegre
feliz
não sou eu

é uma outra
que não precisa justificar sua existência

tem brilho nos olhos
vê o que não vejo
sente o que não sinto

uma estranha
que estranha minha tristeza

louca
capaz até de chorar de rir

(Curiosa)

...

foi um bom dia, ontem ...
estive com pessoas que amo ...
apesar de lembrarmos nossos mortos, rimos muito ...
e terminei bem a noite ...

ou melhor, foi aquela outra em mim que fez tudo isso ...

..

28.10.12

porque a Escrevente precisa olhar para ela mesma

CURIOSA

é uma de mim
que alcança dizer
um pouco do que estou
enquanto tento ser
melhor que eu

(Curiosa)

..

CURIOSA

meus defeitos
sei de cor
posso listá-los
de trás para frente
em ordem alfabética

como quiserem

já minhas qualidades
somente as reconheço
no retorno do outro

em seus obrigados
seus sorrisos
seus abraços
seus olhares

suas presenças

(Curiosa)

..


CURIOSA

oscila entre os tempos
vai até o impossível
descobre o que ninguém vê
inventa o inconcebível

(Curiosa)






Luli e Lucina
me embalam há muito tempo, adoro suas vozes e suas músicas .....

esta letra, em particular, é meu mantra de vida, pois ainda necessito
muito muito aprender a calar ... escutar ... e falar menos ...

24.10.12

porque a Escrevente racionaliza para não amar

TU  / ou /  SANGRANDO

como um raio
pontiagudo e afiado
que mancha a Palavra
a carmim

teu nome
quando pronunciado
crava um verso
novo em mim

(Curiosa)

...







20.10.12

porque a Escrevente busca justificativas para além dela mesma*

MEU ASCENDENTE EM PEIXES

presunçosa
penso que todos precisam de mim
que é minha a tristeza de todo coração

que dos meu olhos caem as lágrimas
de cada um que já chorou

que das minhas letras nascem as palavras
dos que não sabem se dizer

peixes
com um olho de cada lado da cabeça
não consegue olhar para si mesmo
para as próprias necessidades

perdoa a todos em suas imperfeições
mas jamais se auto-redime

não raro vaga em águas
profundas escuras frias
e solitárias
em busca do deus interno
que lhe traga autocompaixão

(Curiosa)




...

somente para lembrar:

ninguém precisa mais de mim do que eu mesma
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma
ninguém precisa mais de mim do que eu mesma

..

13.10.12

pequeno escrito feito sob o aroma de nosso gozo

NOSSO SEXO

em teu corpo se encaixa
minha oquidão de alma

tuas mãos de luz
me (re)forjam outra
etérea
entranha
cratera

teus olhos - em cio
me fazem gozar
alma e matéria

(Curiosa)

..

8.10.12

porque a Escrevente se perdeu de si mesma

FELICIDADE ou ILUSÃO

a vida é bela
o sofrimento congela
as borboletas voam
viva o ansiolítico !

a vida é bela
a ilusão é amarela
as borboletas voam
viva a fluoxetina !

a vida é bela
o amor me engabela
as borboletas voam
viva a psiquiatria !

(Curiosa)

...

voltei para a minha psiquiatra/terapeuta ...
ando triste demais ... estou com medo de mim ...
e outros precisam de mim ... logo ... eu preciso viver ...
então ... busco ajuda ...
porque aonde fui de mim, não me alcanço mais sozinha ...

..


5.10.12

porque a Escrevente só se encontra no verso

AUTOPENITÊNCIA

eu não vou escrever
senão poesia

poesia
que de mim
me anistia

que minha
alma acaricia
que minha
pele arrepia

poesia
que me
salva o dia

eu não vou escrever
senão poesia
poesia
poesia

(Curiosa)


4.10.12

porque a Escrevente delira e se sente melhor

.o que nomeio não me comporta
o que me descreve são meus olhos
o resto é ficção de mim



... a cada mil lágrimas, sai um milagre ...

18.9.12

porque o amor ilude a Escrevente

SUICÍDIO

morreu
com um verso
cravado no peito
recompondo
um antigo
poema de amor

(Curiosa)

..

queria ser eremita ...
ser eremita não tem nada de espiritualmente elevado ...
é só uma incapacidade de se relacionar ...
eu assusto a todos com minhas atitudes ...
com minhas racionalidades ...
e quando resolvo expressar meus sentimentos, então?
queria ser eremita ...
..





13.9.12

porque a Escrevente tem medo de se relacionar

ELE ME QUER

e estrelas alvas caem
em orquestra de luzes
perfumadas

relógios cessam

sem memória
de mim
existo apenas
na possibilidade
do enlace

(Curiosa)

...

29.8.12

porque a Escrevente, vez em quando, desencanta-se com a humanidade

DESILUSÃO

com os olhos molhados
e a esperança mutilada
em um vácuo
do próprio destino
a Poeta
uma otimista nata
que sempre ergueu bandeira
em favor
da bondade humana
se vê apunhalada
pela amargura
ressentimento
e pequenez
do outro

e sua poesia vai embora
pois da flor
(e do amor fraterno que julga sentir)
só pode abstrair um gosto à sangue

a Poeta
descrente de si mesma
demora em acreditar
que o ser humano
está aquém do que ela apregoava

 (Curiosa)

..
quando não posso compartilhar, eu existo mesmo?
sozinha, quando ninguém me vê, eu existo?
agora, eu existo?
ah! diga que não, please!

..

preciso dar jeito na minha vida ... fazer escolhas ... 
deixar de adiar decisões óbvias ... talvez virar eremita ...




..



25.8.12

porque a Escrevente sobrevive à tentação da morte

A VELHICE

baforeja há tempos em meu cangote
risonha e úmida
lambendo minha pele

levando-me o viço e a frescura
a energia e as vontades

confinada em meu corpo
refém de mim
aguardo o momento da libertação

(Curiosa)

...



SUICÍDIO

morreu
de vergonha
de seus
próprios atos

(Curiosa)

..
sim ... a Escrevente queria desaparecer hoje, envergonhada de ser ela ...
envelhecida por fora, rude por dentro ...
a morte lhe seria um descanso, um afago, um conforto ...

...







16.8.12

porque a Escrevente ficou sem título

SE ELE ME QUISESSE

o cavaleiro altivo
de armadura reluzente
cujos olhos me perseguem

que esplendor seria

eu - princesa resgatada
decifrada nos seus olhos
toda sua

e o seu todo no meu eu

e o nosso gozo
com o aroma das tardes voluptuosas
quando o sexo é feito devagar e molhado

ah! se ele me quisesse

mas
para me querer
é preciso coragem

coragem
para  enfrentar
a minha vastidão
e a minha multitude

para aceitar
a minha contradição
e a minha inquietude

você tem
bravura suficiente
cavaleiro altivo
de armadura reluzente
cujos olhos me perseguem?

(Curiosa)

..

13.8.12

porque a Escrevente é decifrada - e só pensa em sexo

INTIMIDADES DA CURIOSA

Curiosa é uma Mulher
intrigantemente
escaldante, escaldada
caudalosa
enigmática, misteriosa

Esfinge de areia e palavras
um retrato Sem Moldura
Não se enquadra
em Nenhum Conceito
pragmático, estático ou paralítico

De Estética Apurada
Concreta/Abstrata
Logo na entrada
diz na cara
que é Muitas
é Várias
ou Nenhuma

Simplesmente,
Indistinta, Plural

Sexo Verbal não faz Seu Estilo!

Hoje ela está
Amanhã pode não estar Mais

Daqui a uma hora, talvez...
Ontem, jamais!

Ela é tão curiosa
que cruza as pernas
em frente ao Corpo Nu
Enquanto Desnuda a Alma
Em prosa e Versos
Indiscretos, Inquietos
Dilacerantes
Ironia profunda

Chego a Sentir o cheiro de seu hálito
e de Seu Sexo Maduro

Uma Menina não poderia Escrever como Ela Escreve
Embora, na imensa maioria das vezes
também consiga Sentir A Menina
que Ela também É
quando deseja Amar e Ser Mulher

A Menina quer colo
aconchego, cafuné

A Mulher quer Conhecimento
Sabedoria, Orgasmo
Nunca perder a Fé

A Curiosa é um delírio
puro encantamento
O Sarcasmo, muitas vezes, a alimenta
Outras tantas, a Sensibilidade a Enfeitiça
Denuncia ...
Provoca-nos indagações, inquietações
Extasia ...

Curiosa sabe reconhecer quando exagera
derrapa
E, com isso, Enlaça
Mais uma Amiga
que hoje A Abraça
em suas letras e versos

 Menina Curiosa
que coloca a Mão na Cumbuca
Não tem Medo de Ser o que Ela É

só te peço
descruze essas pernas
deixe-nos ver o teu corpo
que está Além de tua alma
Curiosamente
A Nudez do Corpo a Retrai
A Nudez da Alma a Deflora
E, mesmo assim
Ela se Entrega Sem Culpa
Nem falsos pudores

E Goza
Sem Alarde
Gritos, Rumores...

Sua Intimidade Indevassável
Não é para ser desfrutada
ou violada
Tão Somente Degustada
pelos privilegiados que A Seguem.

(Lou Albegaria)

..

este lindo poema, que muito me honra com suas palavras,
é de autoria da Loba ... grande poeta ... polêmica ... como eu ...
uma mulher que admiro ...
originalmente publicado no blog da Lou -  em junho de 2010 ...

..

um detalhe: gosto de sexo verbal ...
sem sexo verbal não faço sexo 'real' ...
ou a conversa antes do sexo é boa, ou não me sentirei atraída ...
e ... ou a transa ocorre com palavras, com fala, com troca verbal,
ou não haverá uma segunda vez ... os que 'transam quietos' não têm vez comigo ...
nesses momentos, preciso ouvir - tanto quanto sentir ...
mas isso é detalhe ...
eu amei, Loba ...
abraço! e agradecida demais ...


26.7.12

porque a Escrevente não se sente merecedora de ser amada


GEMINIANA FUGINDO DO AMOR

você
que pensa me amar
você não me conhece
se ama
é uma outra, idealizada
cria sua - não eu

você sabe
de meu antagonismo?
de meu contraditório?
de minha má índole?

como na mitologia
de Castor e Pólux*
passo os dias entre
meu céu e meu inferno

meu lado bom
é medíocre
pequeno, insignificante
não sou melhor do que
o mais vil dos vis
que também chora pelos seus

mas meu lado mau
é profundo
incontrolável, assustador
e maior do que eu

de uma hora para outra
morro de mim
e faço coisas que
você não conseguiria
sequer
imaginar

você
já vi em seu olhar - por mim
a reprovação
a censura
a desilusão

ainda assim peço
não me julgue - odeie-me, apenas

odiar-me é caminho para me amar
aceite o ódio e me saberá
pois essa sou eu
- amor e ódio são os efeitos que provoco

depois do ódio
se ainda houver algo
será então - o amor
e somente então
poderei aceitá-lo

(Curiosa)




p.s.

de meu inferno - meu amor
eu já sabia
mas
impõe-me dizê-lo:
quando olho nos seus olhos
vislumbro um outro céu
- além da minha Poesia

..

...

Lo peor que le puede ocurrir a cualquiera es que se le comprenda por completo. (Carl Gustav Jung)


porque a Escrevente - vez em quando - transcende a si mesma



 



21.7.12

porque a Escrevente passa os dias angustiada

MENSAGEM PARA UM AMOR NÃO CORRESPONDIDO

minha defesa
meu amor
para não te amar
é te odiar

e eu estou te odiando
em todos os momentos de meu dia

penso em ti com raiva
pela tua nobreza
que ressalta minhas imperfeições

pelas tuas palavras
sempre plácidas
que acariciam meu verbo burlesco

eu te odeio por existires
e por compartilhares tua excelência
de forma tão amorosa

eu te odeio
por me fazeres ver
em mim
o que antes não podia ver

eu te odeio
meu amor
mas não te preocupes
- odiar é como amar
passa pelos mesmos caminhos internos

(Curiosa)
..




19.7.12

porque a Escrevente expõe seus melodramas nas palavras de outros


Estou sozinha se penso que tu existes. (...)
E igualmente sozinha se tu não existes.   
De que me adiantam  
Poemas ou narrativas buscando  

Aquilo, que se não é, não existe  
Ou se existe, então se esconde  
Em sumidouros e cimos, nomenclaturas  

Naquelas não evidências  
Da matemática pura? É preciso conhecer  
Com precisão para amar? Não te conheço.  

Só sei que desmereço se não sangro.
Só sei que fico afastada
De uns fios de conhecimento, se não tento.

Hilda Hilst

..

15.7.12

porque Escrevente não queria amar


Desdeñosa - Lhasa de Sela  

Aunque mi vida este de sombras llena  
No necesito amar, no necesito  
Yo comprendo que amar es una pena  
Y que una pena de amor es infinita  

Y no necesito amar - Tengo vergüenza  
De volver a querer lo que he querido  
Toda repetición es una ofensa  
Y toda supreción es un olvido  

Desdeñosa, semejante a los dioses  
Yo seguiré luchando por mi suerte  
Sin escuchar las espantadas voces  
De los envenendados por la muerte 

No necesito amar - absurdo fuera
Repetiré el sermón de la montaña
Por eso de llevar hasta que muera
Todo el odio inmortal que me acompaña

11.7.12

porque a Escrevente ama antes mesmo de amar

SAINDO DA MATRIX ou DES-ILUSÃO DE AMOR

ela se iludia
que sabia
o que dizia
o olhar
que ele lhe dirigia  
e inferia
que um amor
ali se constituía

que de um secreto desejo  
da vontade de um beijo
ele padecia

mas o amor
que ela achava que via
nos olhos do amor - que não existia
era reflexo de seus próprios olhos
marejados olhos de agonia
daquele amor - que ela sabia
não vingaria

(Curiosa)

27.6.12

porque umas de mim são fortes, mas como eu não sou elas, eu choro ...


talvez (tenho esperanças!) talvez haja outras de mim, em mundos paralelos, simultâneos, que fizeram outras escolhas, diferentes das minhas ... eu posso crer nisso, creia-me ... surreal é o fato de eu não poder conhecê-las para sabê-las ou para me saber ... eu aprenderia muito de mim vivenciando todas as minhas possibilidades de existência ... ou grande parte delas ... enfim ... divago ...  porque me é necessário divagar, afinal, não posso me manter na eterna perguntinha: 'o que é a vida?' tenho que ir além, tenho que inventar a vida ...

então, eu invento que há outras de mim, muito melhores do que eu, claro, existindo além de mim, no mesmo espaço-tempo ... uma que viveria sem culpas ...  uma outra que não teria se afastado seu pai - por anos - antes de sua morte distante e solitária ... ou uma outra que teria uma bela família com uns cinco filhos ... uma que teria  tido uma infância feliz ...  ainda mais uma : que se sentisse realizada profissionalmente ...

ah! eu queria saber é se há uma de mim que fez todas as escolhas certas ... e quais seriam as escolhas certas? como determiná-las? afinal, cada vida paralela é plena ... ah! perdi o fio da divagação ... não quero mais brincar disso ...

22.6.12

porque a Escrevente volta a sentir tesão

TESÃO  

quando teus olhos lambem os meus  
no átimo de um encontro furtivo  
sou atingida diretamente
nas ancas

nasce-me  
um pé-de-vento no umbigo  
os pensamentos ficam difusos  
as faces, rubras  
as pernas vacilam  

e quando  
finalmente  
desvio o olhar    
volto a respirar

(Curiosa)

..

15.6.12

porque a Escrevente está aniversariando

ANIVERSARIANDO

frente a frente
com o Tempo
a mulher
volta à infância
e percebe que

da meninazinha
com vestido de chita
de olhos assustados
- e brilhantes -  
que apagava as velas

restou apenas  
a meninazinha
de olhos assustados

(Curiosa)


.........


p.s. esquecei, novamente, como se usam os benditos porquês  ...
acho que todos os meus títulos com porquês estão redigido de forma errada ...
humhum ... que que eu faço agora com as minhas quase 400 postagens com título errado? 

1.6.12

porque a sexualidade está além do gênero

ANDROGINIA

do meu homem
eu quero
todo o feminino
a doçura forte
e o olhar felino
ânimus-ânima
ultra-uterino
em novo arquétipo 
que eu germino

(Curiosa)

24.5.12

porque muitas vezes - a Escrevente não se gosta


QUANDO EU NÃO SOU EU

projeta-se
minha Sombra

escondo-a de um lado
escapa-me por outro
escancarada no ato

em vida paralela
deslustrada
imagem do Eu
revela
eventos reversos
em sincronicidade
necessária

(Curiosa)


12.5.12

porque ser Mãe é o ápice do Feminino

MULHER-MÃE

sangra
todo os meses
em ablução ventral
em benfazejo ritual
batizando novamente
a Existência

chora
todos os dias
em comunhão universal
por uma dor fraternal
lavando as chagas
da Existência

ri
todas as horas
em percepção transversal
do feminino-maternal
dando sentido
à Existência

(Curiosa)

20.4.12

porque para a Escrevente, o sexo É o poema

VOCÊ DENTRO DE MIM

tropel de cavalos no peito
você dentro
de mim
ventania nos ouvidos
você dentro
de mim
cintilâncias no olhar
você dentro
de mim

e eu
flor desabrochada
para dentro
em carmesim
por seu pênis
sem-fim
- eu, fora de mim

emergindo novamente do barro
angústia fetal na busca da luz
mulher-fogo apagando incêndio

chuva fresca na face
- nós dois gozando, enfim

(Curiosa)
..

16.4.12

porque a Heroína se perdeu de seu castelo

Perdi os meu fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma ...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma ...
— Tantos escolhos! Quem podia vê-los?
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de oiro e pedrarias ...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas ...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias ...

(Florbela Espanca)

9.4.12

porque a Escrevente esteve perto da morte - e REviveu

Te sei. Em vida
Provei teu gosto.
Perdas, partidas
Memória, pó.

Com a boca viva provei
Teu gosto, teu sumo grosso.
Em vida, morte, te sei.

(Hilda Hilst) 

21.3.12

pequeno escrito feito depois de desfalecer em nosso gozo

NOSSO SEXO

tuas mãos
são feras famintas
que me rasgam a pele   
e me recompõem
em mosaico milagroso

tua boca
é fonte de vida e morte
onde sorvo meu sumo
e segrego meus venenos

teu pênis
é fogo sagrado   
que aquece minha alma
e me absolve os pecados

 (Curiosa)

..

8.3.12

porque hoje é dia da Mulher



      MULHER ou GÊNESE

     a Floresta lhe é dentro
     Selvagem
     como o casulo rompido
     revela-se Mito
     onde não havia nada

     no princípio, era a Mulher

     (Curiosa)

7.3.12

porque toda palavra deve ser vista pelo seu outro lado

PERDOANDO-SE

a heroína
decide tomar as rédeas de seu destino
e com uma caneta em mãos
cursa os rumos de sua nova história:

que toda imperfeição seja perdoada
reparada esquecida apagada

que toda palavra seja vista também pelo seu outro lado
que cada atitude seja considerada no seu todo
que toda máscara seja usada por escolha

que a heroína
se aperceba de sua grandeza

(Curiosa)

25.2.12

porque a Escrevente filosofa para amar - e vice-versa

DIALÉTICA DO AMOR

tempo e espaço
fluem
simultaneamente

ligados entre si

permitindo-nos
transitar
pelo passado e pelo futuro

no presente

quando penso naquilo que passou
eu o experiencío uma vez mais

então
a cada vez que me chega
a mais breve lembrança sua
fecho os olhos
páro o momento

e estamos juntos

(Curiosa)

16.2.12

a Escrevente escreve um Epicédio*

AUTOEPICÉDIO

a vida lhe doeu por dentro
não deixando espaço para sentimentos mais nobres

egocêntrica
escreveu somente sobre si

seus amores
seus ódios
suas pequenezes
suas incertezas

foi indiferente
às dores alheias
ainda que falasse delas
quando sentia as suas

mas sentia
apenas as suas
como cada um de nós

pois os outros
são apenas
os outros
os outros
os outros

ela
é apenas
quem morreu hoje
e morreu doendo de Vida

(Curiosa)

..

*
Epicédio
s.m. Discurso ou poema recitado em memória de pessoa notável.
P. ext. Qualquer composição poética fúnebre.
(retirado do dicionário online de português)

9.2.12

porque quando a Escrevente cala a voz, as palavras chegam

INSÔNIA

passo o silêncio da noite a ouvir
as palavras do dia

de hoje
de ontem
de antes de ontem
da vida toda

ressoam-me na mente

cada uma delas
em sua jactância
busca seu espaço
gritando
seu significado
sua importância
.
então
me vem o des-co(m)-nexo
me seduz o (in)ex-ato
me reflete o enigmático
.
e assim
no tempo de uma noite não dormida
as palavras de minha existência
me desvendam os mistérios
da vida vivida


(Curiosa)

2.2.12

porque a Escrevente se vê frente a uma nova paixão e tem medo

QUANDO NOS APAIXONAMOS ou
FRENTE AO TORTURADOR

o nó na garganta
o frio na barriga
a incerteza na voz
a frouxidão das pernas
o fugidio do olhar

o desvario das palavras

ah!
as infindáveis conversas
- dois monólogos de eus idealizados ...

passar por uma paixão é como enfrentar a mais cruel sessão de tortura:
se não morrermos
desmanchando-nos frente ao carrasco
sublimaremos um dia


15.1.12

porque a Escrevente se envergonha de alguns de seus atos

ISSO NÃO É UM POEMA ou CONFISSÃO

quando meus eus
mais sombrios
tomam a frente
revelo para o mundo
o que nem eu sabia

o medonho de mim

o ato
escorregadio
ladino
sem ética
racionalidade
ou moral

eu não sou um ser humano bonito

já fui

aos sete
eu era inocente
confiante
feliz
idônea
fraterna

mas desde a
vez primeira em que me assassinei(*)
perdi um jeito de sentir que eu tinha
e depois
das outras vezes em que me matei
foi-se qualquer nobreza que havia

e hoje
dos meus eus
eu sou a mais ignóbil
a que não tem mais nada

morresse agora
não me restaria nem mesmo a vela na mão
carinho que somente defunto amado tem

não me arde nenhuma chama
de empatia pelo que me tornei

e quando
uma de mim se adianta
com bandeira da auto-piedade
cuspo-lhe na cara

umas mim não merecem compaixão

(Curiosa)

..

(*)
menção ao poema
da vez primeira que me assassinaram
de Mário Quintana

Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.

Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.

Vinde! Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arracar a luz sagrada!

Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!


..

a Escrevente teve um problema com ela mesma ...
está off ...

4.1.12

porque a Escrevente recebe presente carinhoso e se enternece






















ganhei este mimo de ano novo do querido Mansinho da Loirinha  ...
veja aqui o seu perfil no facebook.

trata-se de um querido que,
com sua companheira, a Loirinha Ksada,
experiencia relacionamento aberto, respeitoso,
em busca de romper amarras que possam nos
prender em pequenos dramas monogâmicos medievais  ...

parabéns a ambos, pelo desprendimento e pela capacidade de exercitar a liberdade ...
agradecida demais pelo presente, querido ...

visite o blog de ambos:  Casa da Loirinha Ksada ...   (vale a pena!)


1.1.12

porque a Escrevente encontrou um velho cartão do ex-atual-sempre-amor

ESCREVIVÊNCIA

por vezes
as palavras que alcanço
me estranham
não me dizem mais
me afastam
de mim

do outro

então
quando a Palavra não me diz
invento Palavra que me diga

e no milagre da escrevivência
sai-me Nova Palavra das entranhas
gritando por sua existência

a Palavra
recém-parida
virgem de pronúncia
oca de significado

preenche-se de mim
e eu volto a existir

inflorescida

(Curiosa)

..

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