25.2.12

porque a Escrevente filosofa para amar - e vice-versa

DIALÉTICA DO AMOR

tempo e espaço
fluem
simultaneamente

ligados entre si

permitindo-nos
transitar
pelo passado e pelo futuro

no presente

quando penso naquilo que passou
eu o experiencío uma vez mais

então
a cada vez que me chega
a mais breve lembrança sua
fecho os olhos
páro o momento

e estamos juntos

(Curiosa)

16.2.12

a Escrevente escreve um Epicédio*

AUTOEPICÉDIO

a vida lhe doeu por dentro
não deixando espaço para sentimentos mais nobres

egocêntrica
escreveu somente sobre si

seus amores
seus ódios
suas pequenezes
suas incertezas

foi indiferente
às dores alheias
ainda que falasse delas
quando sentia as suas

mas sentia
apenas as suas
como cada um de nós

pois os outros
são apenas
os outros
os outros
os outros

ela
é apenas
quem morreu hoje
e morreu doendo de Vida

(Curiosa)

..

*
Epicédio
s.m. Discurso ou poema recitado em memória de pessoa notável.
P. ext. Qualquer composição poética fúnebre.
(retirado do dicionário online de português)

9.2.12

porque quando a Escrevente cala a voz, as palavras chegam

INSÔNIA

passo o silêncio da noite a ouvir
as palavras do dia

de hoje
de ontem
de antes de ontem
da vida toda

ressoam-me na mente

cada uma delas
em sua jactância
busca seu espaço
gritando
seu significado
sua importância
.
então
me vem o des-co(m)-nexo
me seduz o (in)ex-ato
me reflete o enigmático
.
e assim
no tempo de uma noite não dormida
as palavras de minha existência
me desvendam os mistérios
da vida vivida


(Curiosa)

2.2.12

porque a Escrevente se vê frente a uma nova paixão e tem medo

QUANDO NOS APAIXONAMOS ou
FRENTE AO TORTURADOR

o nó na garganta
o frio na barriga
a incerteza na voz
a frouxidão das pernas
o fugidio do olhar

o desvario das palavras

ah!
as infindáveis conversas
- dois monólogos de eus idealizados ...

passar por uma paixão é como enfrentar a mais cruel sessão de tortura:
se não morrermos
desmanchando-nos frente ao carrasco
sublimaremos um dia


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