20.4.12

porque para a Escrevente, o sexo É o poema

VOCÊ DENTRO DE MIM

tropel de cavalos no peito
você dentro
de mim
ventania nos ouvidos
você dentro
de mim
cintilâncias no olhar
você dentro
de mim

e eu
flor desabrochada
para dentro
em carmesim
por seu pênis
sem-fim
- eu, fora de mim

emergindo novamente do barro
angústia fetal na busca da luz
mulher-fogo apagando incêndio

chuva fresca na face
- nós dois gozando, enfim

(Curiosa)
..

16.4.12

porque a Heroína se perdeu de seu castelo

Perdi os meu fantásticos castelos
Como névoa distante que se esfuma ...
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los:
Quebrei as minhas lanças uma a uma!

Perdi minhas galeras entre gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma ...
— Tantos escolhos! Quem podia vê-los?
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma!

Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu corcel,
Perdi meu elmo de oiro e pedrarias ...

Sobem-me aos lábios súplicas estranhas ...
Sobre o meu coração pesam montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias ...

(Florbela Espanca)

9.4.12

porque a Escrevente esteve perto da morte - e REviveu

Te sei. Em vida
Provei teu gosto.
Perdas, partidas
Memória, pó.

Com a boca viva provei
Teu gosto, teu sumo grosso.
Em vida, morte, te sei.

(Hilda Hilst) 
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