4.2.13

SOBRE OS MORTOS DE SANTA MARIA/RS

SEM NOME

ficar sem o filho ainda não tem nome em nossa língua ... em nenhuma língua, que eu saiba .... existem órfãos, viúvos ... mas, não conseguimos nomear a perda (tão trágica!) de um filho (ainda tão jovem) tamanha a dor que se sente ... não conseguimos dimensioná-la em uma palavra ... desesperança? desespero? ressentimento? ódio? revolta? como sublimar isso? não sei ... nem sei como alguns pais e mães conseguem falar com a imprensa logo em seguida ao fato ... eu estaria gritando/brigando com o Universo, aos prantos chorosos ... de mal com Deus ...

os Cristãos dizem que Deus não nos dá um peso maior do que aquele que podemos carregar ... Nesse caso, eu nunca perderei minha filha para uma morte tão trágica, pois eu não ficaria viva depois disso ... é um fardo pesado demais para mim ... Admiro aqueles que continuam ...

está pessimista, este meu escrito?
não ... realista, para mim ... eu não sobreviveria a isso ...

aos pais e mães: eu sinto ... profundamente ...
caso sirva de consolo, eu acredito que saímos dessa vida para outra melhor ...
não acreditasse nisso, já teria me matado há muito tempo ...

..

de qualquer forma, ainda quero escrever mais sobre essa tragédia toda, pois me surpreendeu que o chefe de bombeiros de Santa Maria, por exemplo, em uma entrevista, afirmou que NÃO DEIXOU suas filhas, de 18 e 20 anos, NÃO as deixou ir à boate.

impressiona-me quem alguém consiga impedir suas filhas adultas de fazer o que queiram ... que tipo de jovens ele está criando? pessoas nulas e sem vontade própria, parece-me ... não podemos impedir que nossos filhos saiam para o mundo. podemos (e devemos) apenas orientá-los e, por outro lado, brigarmos para que haja segurança fora de nossas asas  ...

que bom que agora se estão vistoriando as casas noturnas de todo o país ... e o balanço só mostra o descaso do poder público, em permitir que tantas casas estivessem funcionando irregularmente ...


6 comentários:

Rogério Pereira disse...

Deus é infinitamente bom, mas é mais infinitamente distraído...

Marizélia disse...

Olá!
Sabe, não deve haver maior dor do que a perda de um filho, mas sobre a capacidade que temos de suportar alguns fatos dolorosos da vida, discordo de ti. Eu tenho um filho autista de 11 anos e antes disso, jamais pensei que aguentaria ter um filho especial. Achava o fim do mundo, a morte em vida. Mas aqui estou, e muito melhor do que antes em vários aspectos. A dor nos ensina muito, nos torna mais flexíveis e menos perfeccionistas. Todos têm recursos internos que só são utilizados em caso de necessidade e isso não tem a ver com Deus (ou tem no sentido de que ele nos fez assim).
Abraço.

Sotnas disse...

Olá Curiosa, desejo que tudo permaneça bem contigo!

Concordo com o pensamento da Marizélia, pois nós humanos somente valorizamos nosso viver em momentos dolorosos, e o que me chateia é que para nos tornarmos mais precavidos é necessário acontecer desgraças, catástrofes!
Quanto ao poder público, bem, eu penso que as leis existem, e quem faz o poder público, ora, eles são pessoas feitas nós, aqueles que não se adaptam ao sistema privado pelas cobranças imediatas, e se estabilizam no serviço público. Mas tem também aqueles que sempre se aproveitam da amizade com os que lá atuam, e pedem "favores" que não se enquadram nas leis, ou mesmo corrompem os funcionários, etc. E neste sistema capitalista tudo que primeiro importa são os lucros, jamais vemos alguém colocando o ser humano, ou a segurança deste em primeiro plano, primeiro os lucros!
É uma pena, que tenhamos que chorar muito ainda feitos os pais e todos de Santa Maria, pois o ser humano ainda é deveras ganancioso, e descuidado. Penso que os jovens devem pensar que não são indestrutíveis, devem saber que não podem tudo, Somos humanos!

E assim, ainda que triste como todos, eu deixo aqui meu agradecimento contente por ter tuas visitas e amizade, e desejo que você tenha em teu viver sempre a felicidade intensa, um grande abraço, felicidades para tua filhota, e, até mais!

Curiosa disse...

Sotnas, querido, também concordo com a Marizélia ... temos capacidade de suportar dores infinitas ...o ser humano é incrível ...

quando digo que EU não suportaria, manifesto o meu sentimento de hoje, construído sob o abstrato ... somente frente a uma situação dessas é que saberíamos de nossa ação/reação ...

mo mais, ratifico: hoje, eu não suportaria essa dor; morreria junto, mesmo que optasse em continuar viva ...

abraço, querido Sotnas .... grata a você, sempre ...

Marizélia, sua força é incrível ... sua carga é grande ... mas, parece-me, não se compara a morte ... você tem um filho VIVO ... é uma abençoada, como eu ... Abraço pra você e sua família ... continue assim forte ... e grata pela visita ...

Curiosa disse...

Rogério ...
sem palavras, querido .... abraço!

Angelo disse...

Foi uma tragedia profundamente triste,que deixará fendas profundas..

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