24.6.13

porque a Escrevente está nas manifestações pelo Brasil afora

MEUS PORQUÊS

porque os que saqueiam e depredam me representam
porque os que têm e os que não têm partido me representam
porque a polícia me representa

porque os que têm fome e frio me representam
porque os sem-teto e os sem-terra me representam

porque os explorados e os discriminados me representam
porque os marginalizados e os revoltados me representam

por quê?
porque são/somos seres humanos ...
cada um de nós ...

(...)

enfim - essa massa sem direção
nunca antes vista - fenômeno do Facebook
me representa ...

(...)

por isso - mesmo não indo às passeatas
estou nas ruas - representada por cada pessoa
em todos os lugares ...

sinto-me muito culpada, pois nunca estive tão alienada do mundo fora de mim,
em toda a minha vida ... eu, que sempre fui militante, sindicalizada e filiada a um partido ...
eu ... ando pensando somente em mim ... depois dos 45 anos, descobri atitudes minhas,
esconderijos meus -  esconderijos que eu não assumia, dos quais eu fugia
(ainda que vivesse perdida neles) ...

atualmente, estou com problemas no trabalho ... problemas de relacionamento ...
eu me descobri irritável e irritante ... nunca estive mais irônica ...
falo o que eu penso do que eu vejo ... magoo, enfureço ...
(estados emocionais que, pensava - já havia dominado em mim)

sim ... é difícil trabalhar com meus colegas de trabalho ...
são muitas diferenças na forma de pensar ... eles são conservadores e alienados ...

à começar, todos são favoráveis à pena de morte ... partindo dessa ideia,
não há como fazer qualquer debate sobre as situações diárias que ocorrem
na humanidade, pois o melhor, para eles, (melhor esse, repetido-me diariamente)
seria que matássemos todos os marginais e dirigentes do planeta ...
ou, no mínimo, dar-lhes pena perpétua ...

dizem isso sem perceber que estão sendo ditatoriais ...
sem relevar o peso da vida humana ... que todos somos iguais ...
que apenas vivemos em uma sociedade desigual ...

os marginais, assassinos, ladrões também me representam ...
são seres humanos, doentes - vítimas da situação econômica em que vivemos ...

neste semestre, estive ácida, mau-humorada, com certo rancor no coração ...
cansada do mundo ...

e tenho mais o caso de meu irmão, doente, que necessita de transplante de órgão ...
que está quase morrendo ... antes dos 50 anos de idade ....

enfim, estou arrasada ... mas me sinto representada nas ruas ...

Miris Maria Weingartner (olha p'ra nós, Simon!)
1987 -  Porto Alegre/RS

5 comentários:

Rogério Pereira disse...

A representação é a mais genuína forma de cidadania, sabia?

Sotnas disse...

Olá Curiosa, desejo que esteja bem!

Somente discordo dos supostos vitimados da sociedade desigual. Pois como você mesmo escreveu, estamos todos no mesmo barco, sofrendo as mesmas injustiças, e nada justifica alguns partir para a criminalidade, para a bandidagem. Eu vejo alguns da seguinte maneira, simplesmente não desejam fazer parte dos que conseguem por meios próprios, e se apossam do que jamais lhe pertenceu, mas, como você pode vê eles não são em nada diferentes dos que comandam o sistema, ansiosos por posses e poder! Sendo assim eles jamais me representarão, pois não valorizam sequer a própria vida. E não quero ser representado agindo feito marionete do sistema, que sempre foi e continuará sendo poder e perverso!

E assim Curiosa, eu desejo que teus problemas sejam resolvidos, e que você não perca a fé, pois o criador sempre soube o que faz!

Grato pela amizade eu desejo que seja deveras intenso de luz o teu viver, abraços e até mais!

wcastanheira disse...

Potas e poetizas fascinam pela magia de viver neste mundo do faz de conta, realmente um mimo este momento q confunde as duas vidas, pra vc linda bjos, bjos e bjosssssssssss

Hess disse...

oi!! esse texto é bem parecido c o seu!!!
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A manifestação é contra você
Por Renato Kaufmann
O brasileiro se levantou contra toda essa corrupção e violência. Um senso de indignação generalizado, de já ter tolerado demais, apanhado demais. Mas se você foi à manifestação e usa carteirinha de estudante para ter meia-entrada, mas não é estudante, você é parte do problema. Você não tem moral para reclamar da corrupção deste país. O nome disso é hipocrisia. (Reclame mesmo assim, por favor, porque são dois problemas diferentes.)
Se você joga bituca de cigarro no chão, você trata a cidade como o seu lixo particular. Mas a cidade é de todo mundo. As ruas estão nojentas e a culpa é sua.
A manifestação é contra você.
Ah, você é ciclista, todo orgulhoso de ser sustentável, um carro a menos, menos trânsito e CO2. Você reclama da opressão do carro, mais forte, contra a bicicleta, o mais fraco. Mas você não para no sinal. Não respeita a faixa de pedestres. Você até anda na calçada, tornando-se o opressor do pedestre.
Não se iluda: a manifestação é contra você.
Você leva o cachorro para passear e não recolhe o cocô. Ninguém admite, mas o resultado está aí: nossas calçadas são um mar de merda. Calçada não é a privada do seu totó.
A manifestação é contra você.
Você joga papel no chão, e não faltam desculpas para não fazer o que é certo. Essa merda de prefeitura que não instala lixeiras, né? Ou, na saída de estádio, você toma uma cerveja e joga a lata por aí. Ah, todo mundo estava jogando. Depois vem um cara limpar. A responsabilidade não é do Estado. É sua. E você, manifestante, não pode se esquivar dela nos outros 364 dias da sua vida.
A manifestação é contra você.
Você não cumprimenta o porteiro. Você exagera horrivelmente no perfume e invade o nariz do outro. Você dirige bêbado. Você põe um escapamento superbarulhento na sua moto, que dá para ouvir a quarteirões de distância, incomoda todo mundo e compra um capacete que ajuda a isolar o som. Você obriga todo mundo do ônibus a ouvir a sua música. Você suborna o guarda ou qualquer outro serviço público. Ou ainda, você escreve textos como este, apontando o dedo contra delitos que já cometeu ou ainda comete, achando que dedo em riste exime você da responsabilidade.
Você é parte da violência. Você é parte da corrupção. Se você não mudar, o país não vai mudar. Mas não adianta todo mundo apenas demandar que “o poder” conserte as coisas. Quer mudar o país? Não esqueça de mudar a si mesmo, e pagar o preço da mudança, como um adulto.
Então, vá pra rua, que estava na hora. Mas não se esqueça: a manifestação é contra você.

Elton Sipião O Anjo das Letras. disse...

Olá...gostei muito do teu texto,gosto muito da forma como tu escreves,percebo um puta talento em tua maneira de escrever.Algumas coisas que estão presentes nesta tua crônica vou comentar via e-mail,outras menos pessoais vou aproveitar esse espaço adequado da página de comentário e fazer minhas observações sobre oque aqui eu li.Bom,lamento pelo teu irmão,espero que ele realmente consiga o transplante, afinal é muito jovem ainda para ir embora. Mas acredito na minha Antiga Deusa, e sei que ela fará com que seu irmão consiga o órgão que tanto necessita para continuar a viver. Quanto a seus amigos de trabalho,bom,não adianta discutir com eles a respeito de algo a qual estes já tem uma opinião formada.Deixe-os com suas opiniões e não perca tempo com eles. Eu acredito que o que somos e oque nos acontece e as pessoas que conhecemos nos são trazidos de outras existências. É lógico que tu não é obrigada a acreditar nisso,em reencarnação. Mas acredito que nós,as pessoas e a vida em si é muito complexa e profunda para a "coisa" se resumir tudo numa existência só e única. Acho simplista demais. Acho que a um porque para quem somos,oque somos e para o tipo de vida que levamos e para tudo e todos que nos cercam.Beijos em ti...lembre-se, tem solução para tudo na vida,há sempre uma luz no fim do túnel. Beijos poéticos em ti e que Gaia e Cernunnos estejam sempre contigo.

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