11.10.14

porque a Escrevente procura palavras


NOTA DE FALECIMENTO

um último verso composto
o atingiu de forma fatal

falava
em tempos infinitos
amores eternos
colos maternos

olhos nos olhos

um último verso
aconchegante e devastador
revelava vida após a vida
da vida
que depois de dita
consumada
existida
deixava o nada
preenchido do todo

um último verso:
o que nomeio não me comporta

11.9.14

porque a Escrevente quer voltar



ENVELHECER

o olhar matreiro
derrotado pela pálpebra caída

(foi perdendo um jeito de ver as coisas que possuía)

Curiosa





16.6.14

porque a Escrevente é um eterno devir

há gentes batendo na porta?
diga que estou ocupada

- que talho em abstrato
minha face
com memórias do nada

que concebo sonhos e ilusões
de palha e cristal

impossíveis

diga que metamorfoseio
palavras
para alimentar-me
do humano

em mim

diga, diga às gentes
que amanhã serei eu

que voltem a bater

(Curiosa)

27.5.14

porque a Escrevente ... ficou sem título ...


queria morrer
mas entrevia um poema

queria escrever
mas lhe morria o poema

queria morrer
mas entrevia um poema


(Curiosa)

17.5.14

porque a Escrevente procura jutificativas para se manter viva

JUSTIFICATIVA DE CONTINUIDADE DE EXISTÊNCIA NESTE MUNDO INJUSTO ou POR QUE NÃO ME SUICIDEI AINDA ou DA HUMANIDADE

existo para contradizer o que vivo
poeto para testificar o que sinto
partilho para perseverar no que somos


12.5.14

9.5.14

porque a Escrevente não se reconhece em nenhuma de si

AUTO-EPICÉDIO ou DO HUMANO ou TRANSTORNO DISSOCIATIVO ou ...

crescera com uma ausência
uma falta, uma sede, uma aflição
como se lhe rareasse o ar a cada instante:
o mundo carecia de algo!

procurara em todos os olhos
em todos os abraços em todas as palavras
e nada!

seguia
acossada, inquieta, encolhida
dissociada da matéria que carregava
vivia
vivia e procurava

uma lembrança
uma só lembrança que a lembrasse quem era
antes de ser o que fosse
antes de ser o que era


17.4.14

porque a Escrevente sente o Outono, a Páscoa, a Infância


NOSTALGIAS DE OUTONO





havia um abacateiro
no pátio da minha infância
do portão da garagem
nascia um parreiral
pela janela do meu quarto
alcançava um ariticum
da cozinha, um limão

o cheiro de um pomar
(ou uma simples salada de frutas!)
leva-me
para outra
dimensão
de mim

lá sou criança
lá sou feliz

(Curiosa)

..
é verdade ... nós tínhamos, mesmo, todas essas frutas ... lembro bem ... e tínhamos mais um mamoeiro ... e, claro ... havia abóboras subindo pelos muros, junto com pepinos e tomates ... um pé de laranja, outro de bergamota, os quais não cheguei a ver crescer: mudamos de casa ...  (foi quando tudo mudou) ...  mas ... o que mais lembro, mesmo, é de como os dias eram felizes ...

penso que seja a proximidade da páscoa que me deixa assim, nostálgica ... enfim ... FELIZ PÁSCOA para todos nós!
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