2.5.17

por que a Escrevente está amando

Sim ... a Escrevente está namorando ... um namoro morno, tranquilo e sereno ... a serenidade chega com a idade ... as mais novas que me perdoem, mas serenidade é fundamental ... não troco o namoro morno que começo hoje pelo alvoroço dos amores da juventude ... e a Escrevente  vive momentos de felicidade ...

ela não está compondo muito, é certo .... ela compõe mais frente à amores platônicos, impossíveis .... frente à amores que não a vão ler ... frente à amores altamente erotizados ... frente à amores mornos e serenos, a Escrevente não se inspira muito para versos sensuais ... 

com a idade, a Escrevente descobriu uma sexualidade diferente: ela quer joguinhos ... ela quer falar sobre sexo ... dizer, antes (durante e depois) do sexo, o que vai fazer no sexo, tem mais importância do que o que se faz no próprio sexo ... brincar de sexo excita mais do que a penetração ... brincar de dominar e submeter é um sonho ... a Escrevente sonha com o sexo ... mais do que pratica, ultimamente ... mas está bom assim ... prefere ter o namoro tranquilo e sereno ...

o corpo sofre, é certo ... reclama um pouco ... mas é pouco, frente à serenidade mental que o namoro tranquilo lhe traz ... nunca esteve tão quieta sexualmente ... sempre foi afoita e gulosa ... e nunca esteve tão bem quanto hoje ... é uma contradição que a Escrevente gosta ... ainda que tenha esperanças de viver mais seus joguinhos com seu parceiro atual ... 

falando em parceiro .... meu querido fez um poema para a Escrevente ... um amor ele ... leia ai ...

Ó Curiosa

Agora fui eu quem ficou curioso
E quem és tu?
ó curiosa
Que vives e revivives a visitar
A vida dos outros
Deixa-me em paz, 
indolente furiosa
Que causa furor em uma existência 
tão fragilizada
Não tenho medo de ti, 
mas pavor
Que se transforma em palavras 
que não querem cessar
Para de me inspirar, 
só quero ouvir
Essa língua que não quer 
se manifestar

(Amado da Curiosa)


18.1.17

por que a Escrevente tem um nó na garganta

profano versus profano

minha língua é minha sina
aonde eu entro muitos saem
para entrar no meu poço, alto preço
e o que há de ser
nasce na garganta, no tempo
da minha palavra

(Curiosa)

10.1.17

pr que a Escrevente canta a vida dura

canto a vida
no poema.
sorvo-a
nas indefiníveis
nuances perecíveis
da língua
entrelaçadas com o rubro
do meu sangue
faminto.
faminta vida.
sorvo-a
no estreito dos meus ossos:
a vida crua
no poema vivo.

(Curiosa)

7.1.17

por que a Escrevente já recebeu alguns nãos

QUANDO ME DIZES NÃO

teus gestos
eram minha vida
tua vontada
meu ânimo
minha ânima meu ânimus
miha alma
quando me dizes não
sorves a vida debaixo
da terra

(Curiosa)

6.1.17

por que a Escrevente sente sua duplicidade

RETRATO

meu rosto
rio de murmúrios
vida de descoros
no dito da palavra
rígido como a pedra
meu rosto
poço de conceitos
na página em branco
do livro da vida
rígido como a pedra

(Curiosa)
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